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Santuário de Nossa Senhora da Fé

O Santuário de Nossa Senhora da Fé está situado no meio da encosta sul da Serra de Cantelães, no topónimo apelidado de Monte de Santa Cecília, local onde existia uma ermida dedicada à Santa Cecília.

De acordo com a edição n. 11 do Jornal de Vieira, de 1 de junho de 1972, em 1759, o Abade João Baptista de Sousa Martins mandou erigir um pequeno santuário dedicado a Nossa Senhora da Fé. Com o passar do tempo, o santuário foi ampliado dada a afluência de um maior número de devotos. Em 1771, D. Gaspar de Braga autorizou a ampliação do templo. As obras duraram 6 anos e a capela foi benzida e reinaugurada em 1777. Em 1773 e 1784 foram colocados confessionários.

A casa da Confraria situa-se a poucos metros do Santuário, e é um imóvel em granito de dois andares. O rés-do-chão é a casa da cera e dos ex-votos. No andar de cima, existe um salão espaçoso que acolhe a comitiva religiosa aquando da romaria, que serve de apoio aos turistas e ainda de sala de reuniões. De acordo GONÇALVES e FERREIRA (Senhora da Fé, Revista Theologia, II Serie, Vol XXIX, FASC 2, Braga, 1994), aqui vivia um ermitão contratado em 1830 pelo abade João Baptista Simões da Silva, para zelar pela conservação e limpeza do templo e para abrir as portas do Santuário aos devotos.

Nos últimos anos, o Santuário e as suas imediações foram regularmente alvo de obras de requalificação e restauro, com o intuito de preservar o património e manter a devoção ativa. Pois  este é um local de fervoroso culto, apesar de não se realizarem Eucaristias diárias, nem dominicais. Celebram-se unicamente casamentos e batizados, quer de vieirenses ou forasteiros, e realizam-se as celebrações inseridas no programa das festividades em honra de Nossa Senhora da Fé.

De acordo com Fontes e Roriz (Património Arqueológico e Arquitetónico de Vieira do Minho), o templo mariano é constituído por uma só nave com 172 m2, uma sacristia situada atrás do altar-mor, um altar-mor com tribuna, e dois altares laterais. A nave e a capela-mor são “retangulares, construídos em cantaria granítica de aparelho pseudo-isódomo e cobertura telhada de duas águas, sobre cornija, com empenas coroadas por cruzes e pináculos. As fachadas deveriam originalmente ser rebocadas, fazendo destacar as molduras dos cunhais, entablamentos e guarnições de vãos, de mais cuidada cantaria. A fachada principal apresenta um elaborado desenho barroco, com porta axial moldurada por safena sobrepujada por um nicho-retábulo, onde se abriga a imagem de Nossa Senhora da Fé. Dois janelões de iluminação abrem-se ao lado do nicho e em baixo, ladeando a entrada, dois óculos quadrilobados permitem ao visitante olhar o interior do templo, onde sobressaem os retábulos laterais pintados e um simples retábulo-mor de talha.” O interior é composto pelo altar-mor com tribuna e por dois altares laterais. De um lado, um altar que representa a imagem alegórica do purgatório, estando a Santíssima Trindade em destaque. No centro estão representados Santo António, Santo André e São Francisco de Assis. Do outro lado está um altar com as representações de Santa Cecília, São Loureço, entre outras imagens. Para além da imagem de Nossa Senhora da Fé, que está todo ano colocado no andor, existem outras figuras nas várias mísulas do templo, como Santa Luzia, São Caetano, São Barnabé, Santo André e a recentemente adquirida imagem de Santa Cecília.

Nas traseiras da casa da Confraria existem dois coretos. Estes são de construção recente, com base em granito e estrutura em cimento. É aqui que as duas bandas filarmónicas do concelho atuam no dia da Romaria. De acordo com a edição n. 11 do Jornal de Vieira, de 1 de junho de 1972, os dois coretos foram edificados em homenagem a Santa Cecília, padroeira dos músicos e de uma ermida que em tempos existiu no Monte de Santa Cecília, local que hoje acolhe o Santuário de Nossa Senhora da Fé.

O cruzeiro foi construído entre 1974 e 1975 com ofertas dos emigrantes devotos de Nossa Senhora da Fé. De acordo com a edição n. 58 do Jornal de Vieira, de 1 de junho de 1974, este monumento foi edificado com o objetivo de celebrar o duplo centenário do atual Santuário e simboliza ainda a exteriorização da Cruz de Redempção que a Nossa Senhora da Fé exibe na sua representação plástica. Este cruzeiro tem 20 m de altura e 6 m de base. Atualmente, é junto a este imponente marco religioso, num coberto com estrado, que se celebra a Missa campal.

Espalhadas por todo o recinto, existem inúmeras nascentes de água. De salientar uma fonte cuja água brota de dentro de um enorme penedo. Para se retemperar, os fiéis dispõem ainda de um parque de merendas com cerca de 30 mesas.

Para além do património cultural imóvel, é importante referir o património ligado à tradição popular. É de salientar que, em volta do culto de Nossa Senhora da, Fé há uma lenda que refere o aparecimento de Nossa Senhora à uma jovem perdida na serra. No trabalho realizado por GONÇALVES e FERREIRA (Senhora da Fé, Revista Theologia, II Serie, Vol XXIX, FASC 2, Braga, 1994), é referenciada ainda outra lenda, esta relativa à imagem que está na fachada principal do templo e que tem como fundamento o testemunho oral dos habitantes de Cantelães: “as pessoas explicam o aparecimento de uma imagem de pedra que está na fachada do santuário, dizendo que, em tempos remotos, um rapaz, ia aguça picos (objeto de aço que serve para cortar e talhar a pedra) ao local onde agora se encontra o santuário. O rapaz demorava sempre muito tempo e o seu mestre, não sabendo a razão da demora, não ficava nada contente. Em determinado dia, o rapaz apareceu com aquela imagem artisticamente talhada em pedra.”

Atualmente, as festividades em honra de Nossa Senhora da Fé são organizadas pela Confraria e pela paróquia de Cantelães, e arrastam fiéis de todas as idades pertencentes às 22 paróquias do Arciprestado de Vieira do Minho. São também convocados a participar na organização da festa os agrupamentos de escuteiros. Até 2015, era tradição a Romaria realizar-se no primeiro fim-de-semana de junho. Contudo, a partir de 2016, a data foi antecipada para o último fim-de-semana de maio.

A devoção e a fé são sentidas com intensidade, e as manifestações de afeto e fervor religioso multiplicam-se ao longo dos 2 dias da Romaria em honra de Nossa Senhora da Fé. As festividades arrancam no sábado. À noite, pelas 20h30, é celebrada uma Eucaristia e sai à rua o andor com a imagem de Nossa Senhora da Fé em procissão de velas desde a Igreja Paroquial de Cantelães até à Igreja Paroquial de Vieira do Minho. As principais manifestações religiosas ocorrem no domingo, o dia mais aguardado por toda a comunidade e romeiros. A Romaria tem o seu expoente máximo na Peregrinação Arciprestal e na Eucaristia campal que marcam o regresso da imagem de Nossa Senhora da Fé ao Santuário.


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